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E talvez por isso eu goste de ler... tradições históricas e estatísticas!

No dia 23 de abril, dia de São Jorge (e do meu aniversário), os habitantes da Cataluña, na Espanha, revivem uma linda tradição: a cada livro vendido uma rosa é dada de presente. Esse costume é muito antigo, pois desde o século XV há registros da celebração da Feira das Rosas no dia de São Jorge. Ler é um hábito que se adquire ao longo da vida e é a forma mais universal de transmissão de conhecimento. Através da leitura culturas diferentes se aproximam.

Em 1926 a Espanha instaurou o dia 23 de Abril como Dia do Livro, pois no dia 23 de abril de 1616 dois dos maiores autores de todos os tempos morreram: o dramaturgo inglês William Shakespeare e o romancista espanhol Miguel de Cervantes.
A Conferência geral da UNESCO, reunida em Paris, constatou que o livro foi ao longo da história a ferramenta mais pujante na difusão dos conhecimentos e reconheceu que toda e qualquer iniciativa para promoção do livro é um fator de enriquecimento cultural.
Organizar “o dia do livro” é uma das formas mais eficazes de estimular a leitura, contudo esse costume catalão não foi adotado internacionalmente, por isso a Conferencia geral da Unesco, em 15 de Novembro de 1995, proclamou o dia 23 de Abril como o "Dia mundial do livro e dos direitos do autor".
No Brasil o “dia nacional do livro” é comemorado em 29 de outubro, dada escolhida por ser justamente o dia do aniversário da Fundação da Biblioteca Nacional, que se deu após transferência da Real Biblioteca Portuguesa para o Brasil em 1810, hoje a Biblioteca Nacional é a mais importante da América Latina, com acervo calculado em cerca de nove milhões de títulos. Hoje o prédio da Biblioteca Nacional, fica situado na Avenida Rio Branco, praça da Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro.
No Brasil há ainda uma data específica para comemoração do dia do livro infantil. O dia 18 de abril foi escolhido como dia nacional do livro infantil para homenagear o primeiro autor infantil brasileiro, José Bento Monteiro Lobato. Monteiro Lobato criou histórias que até hoje encantam as crianças e adultos, antes dele, as histórias infantis de outras culturas eram traduzidas para nossa língua, com ele os enredos infantis passam a refletir elementos da cultura brasileira e o mais famoso deles é o Sítio do Pica-pau Amarelo.
Dados divulgados pelo Ministério da Cultura (MinC) através do anuário “Cultura em números 2009”, refletem a dívida que o Brasil tem com a leitura: Apenas 34% dos municípios brasileiros possuem livrarias, e entre 1999 e 2006 esse número de municípios decresceu em 15,5%. Apenas 16,4% dos municípios brasileiros realizaram feiras de livros, nos últimos dois anos anteriores a pesquisa. O empenho do Governo fica evidente quando se observa que 90% dos municípios possuem bibliotecas públicas, mas olhando no detalhe percebe-se a desigualdade na distribuição, enquanto Roraima tem apenas 4 unidades em São Paulo o número é 21 vezes maior, totalizando 84 bibliotecas municipais.
Através da leitura o indivíduo tem acesso ao conhecimento que lhe permite criar uma postura crítica diante da realidade, além de conhecer outras culturas e descobrir novas visões de mundo. No Brasil a leitura é desconexa do prazer. Em uma pesquisa recente sobre hábitos de leitura, os brasileiros ficaram em 27º em um ranking de 30 países, entre os quais os argentinos, nossos vizinhos, ocuparam o 18º lugar. No Brasil a média de livros lidos por ano é de 1,8, enquanto em alguns países europeus, como Espanha a média é de 10 livros por ano. Entre as razões para desmotivação do brasileiro pela leitura está o preço dos livros (em média 27% mais caros que em outros países), o passado de falta de investimento na leitura e acima de tudo a analfabetismo funcional, resultado da aceleração de aprendizado praticado, sobretudo no ensino público.
Fica o desafio de aumentar essa média, estou fazendo a minha parte.
Conto com vocês!

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