Sobre o que eu não posso me calar?
Considerando a definição acima, podemos afirmar, sem melindres, que corrupção é o ato de desmoralizar-se, decompor-se e putrefazer-se.
Putrefazer sim, ou seria mais apropriado, apodrecer?
Houve uma época em minha breve vida que considerei que os políticos quando eleitos tinham objetivos bem definidos e nada viciáveis, cheguei a acreditar que a corrupção era um mal inerente ao fazer político.
Era como se houvesse uma “mão invisível” que impelisse o homem à corrupção.
Mas veio a súbita revelação: A corrupção está presente em toda sociedade.
O patriótico “jeitinho brasileiro” é uma das formas de corrupção mais disseminadas na nossa sociedade.
Quem não conhece alguém que dá jeito em tudo? Pra esse não há problema sem solução, ele tem contatos em muitas repartições públicas e consegue “quebrar o protocolo”.
Apesar de vergonhoso é verdadeiro: estamos cercados pela corrupção e muitas vezes fazemos parte dela.
Nossos valores mudaram, por isso não nos damos conta de que agimos de forma corrupta: furar uma fila, pagar propina pra polícia ou pra ser beneficiado por um programa social, não devolver aquele troco que veio errado, não exigir e acompanhar o cumprimento daquela determinada lei...
Vivemos no “mundo dos espertos”.
Aqueles que agem com integridade e honradez são considerados estúpidos.
Acredito que essa idéia de esperteza deve ser baseada na impunidade dos nossos políticos, pois todas as vezes que são acusados, renunciam.
É uma estratégia que dá certo, pois uma vez cassados não podem se reeleger e quando renunciam muitos voltam vitoriosos.
É tragicamente engraçado que o senso comum acredite que o mundo é mesmo dos espertos. Pobres tolos, não percebem que numa visão macro, é o governo o dono desse mundo de aproveitamento e cheios de “pequenas glórias” não percebem que são passados pra trás em questões mais essenciais.
Corrupção é um mal que impede o crescimento econômico e o desenvolvimento social. Muito se perde em dinheiro e dignidade, então, como fugir dessa enfermidade que apodrece nossas instituições?
Fazendo cidadania, acreditando na mudança, descruzando os braços:
Acompanhando as licitações.
Exigindo o fim da impunidade dos políticos.
Não reelegendo políticos corruptos.
Participando das decisões.
E assim, readquirindo orgulho.
Não será nada fácil, mas será mais digno.
Não deixe que a corrupção faça parte da sua vida.
Uma campanha Transparência Brasil. www.transparencia.org.br.