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Comunicado do presidente do Sinjorba
Bem, como falei, li todas as manifestações dos colegas. Assim como todos, estou meio que anestesiado e meio puto. Por isso, esse texto é mais um desabafo, do que uma opinião de um diretor do Sindicato.
Para mim não foi novidade o posicionamento dos ministros do Supremo. Diz um ditado que cabeça de juiz é igual bumbum de menino. O que me surpreendeu foi a diferença de 8 a 1 do julgamento, quase que uma unanimidade.
Quero dizer da minha total concordância com essa comparação alegórica: cabeça de juiz = bunda de menino. Seres que se acham superiores, gostam de ser chamados de excelência, doutor e de terem a reverência dos demais. Costumam dar voz de prisão por qualquer ato que os desagrade. São os mais altos salários públicos do país e possuem a diferenciação do cargo vitalício, o que normalmente os confere o direito de se acharem acima do bem e do mal.
Eles acham que nosso diploma atrapalha a liberdade de expressão.
Bem, vai ser difícil, mas se achasse um advogado corajoso eu iria propor uma ação judicial para, dentro do princípio da ampla e irrestrita defesa, direito permitido pela Constituição, exigir que eu próprio (e não qualquer advogado) possa me defender em possível ação judicial. Eu poderia estudar o direito, me tornar autodidata e me defender, talvez melhor do que alguém que tem a carteirinha da OAB.
A tese de Gilmar e seus pares vai nesse caminho. Um horror.
Arrogante, indicado ao cargo de Ministro do Supremo por FHC sob nariz torcido das associações de juízes do Brasil, Gilmar Mendes exibiu em seu relatório como ele pensa o Brasil. Enquanto já se cursa Gastronomia para ser chef de cozinha, ele propõe que não curse faculdade para ser jornalista.
A vantagem de se exigir o diploma, dentre outros fatores, é que quem tem diploma não quer perdê-lo na lata do lixo do desprezo e da desmoralização profissional. É simples, mas carrega o simbolismo do respeito a uma profissão cada vez mais desrespeitada, enquanto mais necessária à sociedade.
O Brasil é um país desigual. Assim também é o Jornalismo. Para os jornalistas artistas, com o poder da pena, da voz ou da imagem nos grandes veículos de comunicação, que se calaram, ficaram quietinhos vendo a profissão ser vilipendiada por um ministrinho do Supremo, haverá de não ser diferente entre ter e não ter diploma. Eles não recebem os altos salários que percebem pela competência ou compromisso com o bom Jornalismo.
Mas para quem vende a força de trabalho na labuta diária, trabalhando acima da jornada, recebendo R$ 1.500,00, R$ 2.000,0 de salário - ou até um pouco mais para ser redator, repórter, assessor e fazer editoração, fazer impresso, on line, rádio e o que mais surgir nas assessorias -, para esses o diploma faz diferença. Isso porque o patrão vai pensar pela lógica capitalista e vai sempre aparecer um escrevinhador para aceitar salários ainda mais humilhantes, ao gosto do empregador medíocre.
É aqui, na estressante jornada diária - com piso salarial menor que o do motorista de ônibus de Salvador (com o respeito que essa digna profissão merece), e bem, bem menor que os salários percebidos por juízes de 1ª Instância (nem pensar então dos salários + mordomias do STF) -, que o diploma faz diferença.
Disse ontem a um amigo, que me soltou uma piadinha (eu já tive de ouvir várias de anteontem até hoje) que jamais, jamais chamarei um não diplomado de colega.
Choveram ligações desde quinta no Sinjorba de gente sem diploma querendo fazer registro.
Essa diretoria não vai encaminhar um registro sequer à DRT de jornalista sem diploma. E se tiver que fazê-lo sob liminar judicial, eu renuncio antes que a Presidente encaminhe o documento.
Não fui eleito para defender escrevinhadores. Não falo por todos os diretores, mas acho que a maioria dos membros da Diretoria pensa como eu.
Sobre as reações à decisão do Supremo, eu acho que devemos esperar a orientação da FENAJ antes e sair tomando iniciativas isoladas. Tem que ser de forma nacional e a Fenaj tem uma reunião convocada para 17 de julho. Do ponto de vista jurídico, pouco pode ser feito agora, porque temos que esperar az publicação do Acórdão, coisa que só vai ocorrer lá para agosto ou setembro.
Mas eu espero que os colegas acordem para o inferno que bate à porta. Gilmar já se apressou hoje a dizer que Projeto de Lei não cabe. Ou seja, sua intenção é destruir nossa profissão.
Aqueles que têm o poder da pena, da voz e da imagem, parem de bajular os poderosos e protestem contra os que nos agridem. Quando Carta Capital denunciou o comportamento de coronel de Gilmar Mendes em sua cidade natal, em Mato Grosso, poucos se pronunciaram. Quando Leandro Fortes denunciou a censura que sofreu da TV Câmara após pressão de Gilmar Mendes, poucos se pronunciaram. Muitos se calaram nos dois episódios.
E agora?
Que os colegas acordem para a necessidade da defesa coletiva da profissão, aquela de jornalista que se junta para protestar, fazer piquete, reclamar. COISA DE TRABALHADOR.
Não pode ser os 6 que estiveram na DRT em 7 de abril de 2008 e nem os 20 que estiveram na OAB no dia 20 de agosto, também de 2008. A pauta das duas atividades convocadas pelo Sinjorba era DEFESA DA PROFISSÃO e DEFESA DO DIPLOMA. E os presentes foram 6 e 20.
EM AGOSTO TEM CONGRESSO DO SINJORBA.
É meu desabafo.
Moacy
Meu apoio total!
Para mim não foi novidade o posicionamento dos ministros do Supremo. Diz um ditado que cabeça de juiz é igual bumbum de menino. O que me surpreendeu foi a diferença de 8 a 1 do julgamento, quase que uma unanimidade.
Quero dizer da minha total concordância com essa comparação alegórica: cabeça de juiz = bunda de menino. Seres que se acham superiores, gostam de ser chamados de excelência, doutor e de terem a reverência dos demais. Costumam dar voz de prisão por qualquer ato que os desagrade. São os mais altos salários públicos do país e possuem a diferenciação do cargo vitalício, o que normalmente os confere o direito de se acharem acima do bem e do mal.
Eles acham que nosso diploma atrapalha a liberdade de expressão.
Bem, vai ser difícil, mas se achasse um advogado corajoso eu iria propor uma ação judicial para, dentro do princípio da ampla e irrestrita defesa, direito permitido pela Constituição, exigir que eu próprio (e não qualquer advogado) possa me defender em possível ação judicial. Eu poderia estudar o direito, me tornar autodidata e me defender, talvez melhor do que alguém que tem a carteirinha da OAB.
A tese de Gilmar e seus pares vai nesse caminho. Um horror.
Arrogante, indicado ao cargo de Ministro do Supremo por FHC sob nariz torcido das associações de juízes do Brasil, Gilmar Mendes exibiu em seu relatório como ele pensa o Brasil. Enquanto já se cursa Gastronomia para ser chef de cozinha, ele propõe que não curse faculdade para ser jornalista.
A vantagem de se exigir o diploma, dentre outros fatores, é que quem tem diploma não quer perdê-lo na lata do lixo do desprezo e da desmoralização profissional. É simples, mas carrega o simbolismo do respeito a uma profissão cada vez mais desrespeitada, enquanto mais necessária à sociedade.
O Brasil é um país desigual. Assim também é o Jornalismo. Para os jornalistas artistas, com o poder da pena, da voz ou da imagem nos grandes veículos de comunicação, que se calaram, ficaram quietinhos vendo a profissão ser vilipendiada por um ministrinho do Supremo, haverá de não ser diferente entre ter e não ter diploma. Eles não recebem os altos salários que percebem pela competência ou compromisso com o bom Jornalismo.
Mas para quem vende a força de trabalho na labuta diária, trabalhando acima da jornada, recebendo R$ 1.500,00, R$ 2.000,0 de salário - ou até um pouco mais para ser redator, repórter, assessor e fazer editoração, fazer impresso, on line, rádio e o que mais surgir nas assessorias -, para esses o diploma faz diferença. Isso porque o patrão vai pensar pela lógica capitalista e vai sempre aparecer um escrevinhador para aceitar salários ainda mais humilhantes, ao gosto do empregador medíocre.
É aqui, na estressante jornada diária - com piso salarial menor que o do motorista de ônibus de Salvador (com o respeito que essa digna profissão merece), e bem, bem menor que os salários percebidos por juízes de 1ª Instância (nem pensar então dos salários + mordomias do STF) -, que o diploma faz diferença.
Disse ontem a um amigo, que me soltou uma piadinha (eu já tive de ouvir várias de anteontem até hoje) que jamais, jamais chamarei um não diplomado de colega.
Choveram ligações desde quinta no Sinjorba de gente sem diploma querendo fazer registro.
Essa diretoria não vai encaminhar um registro sequer à DRT de jornalista sem diploma. E se tiver que fazê-lo sob liminar judicial, eu renuncio antes que a Presidente encaminhe o documento.
Não fui eleito para defender escrevinhadores. Não falo por todos os diretores, mas acho que a maioria dos membros da Diretoria pensa como eu.
Sobre as reações à decisão do Supremo, eu acho que devemos esperar a orientação da FENAJ antes e sair tomando iniciativas isoladas. Tem que ser de forma nacional e a Fenaj tem uma reunião convocada para 17 de julho. Do ponto de vista jurídico, pouco pode ser feito agora, porque temos que esperar az publicação do Acórdão, coisa que só vai ocorrer lá para agosto ou setembro.
Mas eu espero que os colegas acordem para o inferno que bate à porta. Gilmar já se apressou hoje a dizer que Projeto de Lei não cabe. Ou seja, sua intenção é destruir nossa profissão.
Aqueles que têm o poder da pena, da voz e da imagem, parem de bajular os poderosos e protestem contra os que nos agridem. Quando Carta Capital denunciou o comportamento de coronel de Gilmar Mendes em sua cidade natal, em Mato Grosso, poucos se pronunciaram. Quando Leandro Fortes denunciou a censura que sofreu da TV Câmara após pressão de Gilmar Mendes, poucos se pronunciaram. Muitos se calaram nos dois episódios.
E agora?
Que os colegas acordem para a necessidade da defesa coletiva da profissão, aquela de jornalista que se junta para protestar, fazer piquete, reclamar. COISA DE TRABALHADOR.
Não pode ser os 6 que estiveram na DRT em 7 de abril de 2008 e nem os 20 que estiveram na OAB no dia 20 de agosto, também de 2008. A pauta das duas atividades convocadas pelo Sinjorba era DEFESA DA PROFISSÃO e DEFESA DO DIPLOMA. E os presentes foram 6 e 20.
EM AGOSTO TEM CONGRESSO DO SINJORBA.
É meu desabafo.
Moacy
Meu apoio total!